segunda-feira, 26 de abril de 2010

O assunto do momento: as pulseirinhas do sexo.
Sempre admiro e ao mesmo tempo me espanto com a mente e a criatividade do ser humano, pois essas são responsáveis pela nossa capacidade especial de dar significado as pessoas e as coisas no mundo, que bem usadas são capazes de criar coisas úteis e necessárias para a vida humana, e ao mesmo tempo me preocupo quando ao contrário elas são usadas para a futilidade e para a destruição da própria humanidade.
Nas últimas semanas a mídia vem dando especial atenção a uma situação em que a criatividade humana mal direcionada está causando transtornos e até mesmo oferecendo risco de vida a crianças, adolescentes e jovens de nossa sociedade. Todas as atenções estão voltadas a umas simples e aparentemente inocentes pulseiras de plástico colorido encontradas a venda em qualquer esquina por preço acessível.
Poderíamos afirmar que são simples e inocentes se não fossem os significados atribuídos a essas pulseiras, significados que as tornou alvo de reflexões, críticas e até de proibições nas últimas semanas. Hoje essas tais “pulseiras do sexo” como passaram a ser conhecidas tem um valor muito maior do que realmente valem, pois dependendo da cor usada pode significar riscos na vida de nossas crianças, adolescentes e jovens.
O importante, a saber, neste momento é que a simples proibição é inútil, isso porque hoje proibimos as pulseiras e amanhã o que será que vão inventar? O que será que teremos que proibir no futuro? Será que a cor da blusa? Será a cor da unha do dedinho?
A solução de nossos problemas não está na simples proibição, existem outros caminhos a seguir com resultados mais conscientes. Pois os filhos nem sempre estão ao alcance dos olhos de seus responsáveis, por isso o que devemos fazer é investir nas orientações que possam criar a consciência dos valores de maneira que mesmo longe dos pais quando expostas a uma situação de risco essas crianças, adolescentes e jovens saibam dizer não e saibam porque respondem dessa maneira. Os filhos necessitam de pais que orientem, de pais que coloquem limites como sinal de amor, mas que orientem quanto à importância desses limites. Muito mais que dizer não use essas pulseiras é dizer não use por causa do que elas representam, da desvalorização do ser humano que elas estão significando e até mesmo do perigo de se repetir o que aconteceu no sul do país quando uma adolescente foi violentada por conta dessas pulseiras.
Precisamos investir na educação e orientação sexual dos adolescentes e jovens num trabalho preventivo, criar uma consciência de gente que sabe o valor de ser gente e o valor e a responsabilidade de fazer gente. E quando falamos de orientação sexual não estamos falando somente de doenças sexualmente transmissíveis de gravidez na adolescência, isso já é falado, o que precisamos e falar de sentimentos, de respeito, de responsabilidade, de amor e afeto. Os pais precisam saber que conversar sobre sexo não é antecipar a vida sexual do filho e sim fazer entender que para fazer amor é preciso estar emocionalmente preparado e não fazer a banalização do sexo como vem acontecendo quando permitimos que ao usar uma pulseira de determinada cor estamos dispostos a ter relações sexuais.
A escola tem procurado fazer a sua parte, mas ela sozinha não alcança o sucesso que só é possível em união com os pais e toda a comunidade, por isso vamos nos juntar e lutar pelo nosso objetivo comum que são nossas crianças, adolescentes e jovens vivendo como verdadeiros cidadãos conscientes, juntemos nossa força para criar as pulseiras do amor, da solidariedade, da esperança, da vida. Vamos usar da especial capacidade de pensar e dar sentido as coisas a nosso favor e não contra nós!

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